junho 05, 2008

Soneto de Homenagem

Se há nesta vida um Deus para os acasos,
Que pela humanidade o bem reparte
Que te dê da fortuna a melhor parte
Que venturas te dê, sem lei nem prazos.

Eu, de alegrias tenho os olhos rasos
de lágrimas, querida, ao vir brindar-te
Quando vejo que até para saudar-te,
As flores se debruçam sobre os vasos.

O meu brinde é sumário, curto e breve
Se o nome que se quer, quando se escreve
Move-se a pena com traços ideais.

Um anjo como tu, quando se brinda
Tem-se a missão cumprida e a festa finda
Quebra-se a taça e não se bebe mais.
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Antero Quental
por Geraldo Trindade - querido, obrigado pelo poema integral. Ouvia recitado em entrevista de Maria Bethânia no DVD Tempo Tempo Tempo Tempo, minha memória recapitulou poucos versos em prosa. Gratíssimo!

2 comentários:

Geraldo Trindade disse...

Permita-me ofertar aos seus leitores a versão completa do Soneto de Homenagem, de Antero de Quental, como o conheço:

Se há nesta vida um Deus para os acasos,
Que pela humanidade o bem reparte
Que te dê da fortuna a melhor parte
Que venturas te dê, sem lei nem prazos.

Eu, de alegrias tenho os olhos rasos
de lágrimas, querida, ao vir brindar-te
Quando vejo que até para saudar-te,
As flores se debruçam sobre os vasos.

O meu brinde é sumário, curto e breve
Se o nome que se quer, quando se escreve
Move-se a pena com traços ideais.

Um anjo como tu, quando se brinda
Tem-se a missão cumprida e a festa finda
Quebra-se a taça e não se bebe mais.

Joaquim Moncks disse...

Amigo Geraldo! Que bela contribuição lembrar Antero de Quental em seu magistral texto poético. Acabei de publicar, na madruga, uma mensagem de 2006 a um confrade de Belém do Pará, na qual havia grafado o fecho de ouro deste soneto, e fui buscar a forma completa. Eis que me topo com a tua contribuição... É o que sempre digo: poesia é PARTILHA! Abraços do poetinha saudoso Joaquim Moncks.